Se bem que se saiba com toda a segurança que o Buldogue Francês na sua forma
moderna apareceu na França nos finais do século XIX, ninguém está de acordo
sobre as suas origens remotas, que continuam provocar intensas e estimulantes
discussões entre os especialistas.
Entretanto, a teoria que mais prevalece é que pequenos comerciantes,
provenientes da Inglaterra, fixaram-se ao norte da França com seus Buldogues
Ingleses, pequenos demais para a raça - estes cães eram, na verdade, “escória”
dos criadores de Buldogue Inglês da Inglaterra. Lá acabaram acasalando-se com
cães terriers rateiros locais. Os frutos desta mistura agradaram. Eram ótimos no
extermínio de roedores e bons de companhia. Em pouco tempo espalharam-se pelo
país.
Os açougueiros e ajudantes do matadouro de La Villette, em Paris, foram os
primeiros a criar o Buldogue Francês. Depressa foram imitados por cocheiros,
sapateiros, vendedores ambulantes de frutas e até por agentes da polícia que se
entusiasmaram com o pequeno Boule (Boule é a apócope de Bouledogue Français, nome francês do Buldogue
Francês). Nos cafés organizavam-se reuniões para comparar os melhores
exemplares; trocavam-se conselhos e, sobretudo, tentava-se obter cães mais
fortes sem medir sacrifícios. Transformado na estrela de Paris dos ofícios
humildes, o boule freqüentava os bairros
populares de Pantin, Belleville e Lês Halles. O seu físico, o seu tamanho
reduzido, a sua peculiar fisionomia, o seu caráter absolutamente encantador
começaram a impor-se e a cativar os cada vez mais numerosos aficionados dos cães
de cara chata.
Pouco depois, o Boule
introduzir-se-ia nas casas públicas onde as mulheres de Belle Époque o adotaram por causa do aspecto
excêntrico. Imortalizado por Toulouse-Lautrec no seu quadro Le Marchand de Marrons (O Vendedor de
Castanhas) em 1901, o Buldogue Francês percorria como um conquistador os Champs Elysées, os grandes boulevards, o Bois de Boulogne...
Mistinguett, Colette, Mac Orlan, o rei Eduardo VII e alguns grandes duques da
coete da Rússia rendiam-se ao encanto deste pequeno cão exótico, cujo corpo
musculoso e andar gingado evocavam os rufiões da feita. Este repentino
interesse, fomentado pela tout Paris
contribuiu em grande medida para o auge do Buldogue Francês que ainda hoje,
apesar da raça ser considerada “exótica”, desfruta de grande notoriedade,
principalmente no exterior.
Le Marchand de Marrons
Em 1880, o primeiro clube especializado na raça, já batizada com o nome atual
foi fundado. Em 1898, a entidade máxima da cinofilia francesa reconheceu-o
oficialmente como raça nacional, provocando escândalo nos meios britânicos.
Assim, por exemplo, era possível ler na imprensa especializada: “Nós, ingleses,
que sempre tivemos um grande afeto pelo nosso cão nacional (Buldogue Inglês),
teremos que repudiar esse pequeno monstro indescritível que trouxeram para o
nosso país, por mais que o chamem de Buldogue Francês”. Este apelo nada
adiantou, o exótico francês apaixonava cada vez mais os ingleses. Em 1900, o
Buldogue Francês não só estava difundido pela Europa, como já havia chegado aos
Estados Unidos da América. É indiscutível que sem a influência e dedicação de
criadores do continente Americano, a raça talvez não seria o que fosse hoje.
Foram eles que organizaram o 1º clube do buldogue francês do mundo e foram eles
que insistiram com as “orelhas de morcego”.
Um ponto de interesse histórico do Buldogue Francês: um Boule que foi segurado pelo valor
“astronômico” (para a época) de U$750,00 (setecentos e cinquenta dólares) estava
a bordo do famoso e naufragado Titanic. Seu nome era Gamin De Pycombe,
propriedade do banqueiro Mr. Robert W. Daniels.
Buldogues Franceses verdadeiramente são uma raça internacional, com criadores
de várias nações sendo responsáveis pela criação dos apaixonantes cães que
conhecemos nos dias de hoje.
Informações e
imagens cedidas gentilmente por Camilli Chamone do Canil Ville Chamonix.
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